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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ciências Sociais Africêntricas para Libertação Humana


 Na’im Akbar 
Tradução: Mpenzi Rocha 

A ciência social representa tanto a expressão de ideologia de povo como faz uma defesa da mesma (Asante, 1980). Na medida em que essa ideologia contém elementos implícitos de opressão, essa ciência social em particular é de fato um instrumento de opressão. Nobles (1978a) discute o fato de que "a ciência ocidental, em particular a ciência social, como as instituições econômicas e políticas, tornou-se um instrumento destinado a refletir a cultura do opressor e a permitir a dominação e a opressão mais eficientes dos povos africanos". Consequentemente, a aceitação acrítica dos pressupostos da ciência ocidental pelos povos africanos é participar de nossa própria dominação e opressão. Nobles, no mesmo debate, continua justificando a necessidade de um método da ciência social que reflita nossa realidade cultural. Nosso objetivo nesta discussão é identificar algumas características desta ciência ocidental e sugerir alguns pressupostos alternativos para o estabelecimento de uma ciência social africana. 

Os cientistas sociais africanos não conseguiram entender o fato de que as ferramentas que adquiriram no seu curso de formação de tradição ocidental os deixaram mal equipados para lidar com a tarefa fundamental de libertar os povos africanos social, politica, econômica e psicologicamente. O aparente paradoxo entre um número crescente de africanos treinados nas ciências sociais paralelamente ao aumento exponencial nos problemas sociais africanos é resolvido quando entendemos o caráter implícito do treinamento que os cientistas sociais africanos receberam. Novamente Nobles (1978a) em sua perspicaz discussão, caracteriza o cientista social africano que opera a partir desse quadro alienígena como sendo "encarcerado conceitualmente". E observa astutamente: 

 "A visão de mundo, os pressupostos normativos e o quadro referencial sobre qual o paradigma se baseia, devem, como a ciência lhe serve, ser consistentes com a cultura e a substância cultural das pessoas. Quando o paradigma é inconsistente com a definição cultural dos fenômenos, as pessoas que o usam para avaliar e/ou estimar esses fenômenos se tornam essencialmente encarcerados conceitualmente”. 

Tal "encarceramento" prejudica seriamente o cientista social africano no seu objetivo de libertação humana. 

O cientista social "cientificamente encarcerado" comprou a afirmação feita pelos cientistas sociais ocidentais de que esta ciência é objetiva e consequentemente uma forma superior de investigação. Jacob Carruthers (1972) argumenta contra a validade da ciência em sua discussão magistral "Ciência e Oposição". Este autor mostrou em sua obra que a abordagem "objetiva" não evita valores porque a objetividade em si já é um valor. Quando um observador escolhe suspender de suas observações determinados níveis de reação, então este é um julgamento de valor. Este é um valor crítico porque muitas vezes envolve o descarte de certas fontes importantes de informações podendo alterar substancialmente o que é percebido como real. Ornstein (1981) oferece suporte para este ponto de vista em sua observação: 

“A ciência como uma forma de conhecimento envolve uma limitação da hipótese de trabalho. A essência de um bom experimento é a exclusão bem sucedida [grifo meu]. Um fator pode ser manipulado enquanto alguns processos são mensurados [...] o método da psicologia tornou-se o objetivo; Essa confusão levou nos últimos sessenta anos a uma "subestimação radical" das possibilidades”.  

Se tal metodologia resultou em uma "subestimação radical" das possibilidades para os ocidentais, para quem esta última destina-se a beneficiar, não se pode mensurar a extensão dessa subestimação em relação às pessoas que pretendem oprimir. 


CARACTERÍSTICAS DA CIÊNCIA SOCIAL EURO-AMERICANA


O modelo que caracteriza a ciência social euro-americana pode ser mais sucintamente visto em seu padrão de normalidade: classe média, masculino caucasiano, de descendência europeia. Quanto mais se aproxima desse modelo em aparência, valores e comportamento, mais considerado "normal". A conclusão inevitável de tais pressupostos de normalidade é um estigma de desvio para alguém que contraria essa forma. Na verdade, quanto mais distante ou distinto desse modelo, mais patológico é considerado. A vantagem óbvia para os euro-americanos é que tais normas confirmam sua realidade como a realidade e demonstram sua superioridade como um "fato" cientificamente baseado. A história da ciência social ocidental está repleta de evidências dessa assunção etnocêntrica de normalidade. A sociologia identificou a "classe média" como o grupo normativo. A antropologia identificou vários povos não-ocidentais como selvagens, primitivos ou incivilizados. A literatura psicológica dos últimos 100 anos baseou-se em observações principalmente sobre europeus, exclusivamente caucasianos, predominantemente homens, e como Robert Guthrie (1976) observou, "até o rato era branco". As formulações da maioria dos estudiosos mais notáveis que moldaram o pensamento da psicologia euro-americana como Freud, Jung, G. Stanley Hall, William McDougall e B. F. Skinner afirmaram direta ou indiretamente a superioridade de raças europeias sobre raças não-europeias.  

Ignorando os pressupostos etnocêntricos da ciência social ocidental, muitos estudiosos africanos se tornaram defensores de sua própria inferioridade, utilizando essas teorias e suas normas implícitas. As pesquisas e bolsas de estudos desses cientistas sociais afro-americanos confirmaram as afirmações negativas de seus homólogos euro-americanos. Isso levou a uma preocupação com o desvio, a deficiência e um envolvimento excessivo com a "análise da vítima". Os estudiosos africanos nativos do continente africano frequentemente assumiram a posição do estudioso neocolonialista que defende o "desenvolvimento" de seu povo a partir da adoção de traços pessoais e padrões sociais europeus (Fanon, 1967, 1968). Os estudiosos afro-americanos tornaram-se os novos capitães do mato e os novos opressores ao defender o sucesso por identificação ou integração com os euro-americanos como a única base para o êxito. Nossa posição não é minimizar ou negar a presença de problemas sociais e pessoais desenfreados como consequência de décadas de colonialismo e/ou opressão e escravidão. Esse extremo sofrimento humano é inegável. O problema é que somos extremamente limitados na capacidade de alterar qualquer uma dessas condições por causa do "encarceramento conceitual" que Nobles descreveu e que identificamos nesta discussão como uma espécie de estagnação paradigmática. 

Uma dificuldade semelhante é a identificação negativa com o cientista social euro-americano. Tal perspectiva leva a reações bastante extremas contra o seu modelo. Isso advoga que tudo o que tenha sido visto como positivo no modelo europeu deve necessariamente ser visto como negativo em um modelo preto. Tudo o que foi visto como negativo sobre os negros da perspectiva do modelo branco é assumido automaticamente como positivo no modelo preto. O ponto desta discussão, embora identifique limitações reais com a abordagem eurocêntrica, não presume a abordagem africêntrica como seu inverso. O modelo africêntrico deve ser visto como uma perspectiva independente do modelo eurocêntrico; Se considerado dessa forma também se tornará meramente reativo e, portanto, persistentemente dependente do modelo europeu. 

Os modelos fornecem as definições que dão origem a metodologias. Na verdade, modelos ou paradigmas circunscrevem muito claramente não somente as questões "perguntáveis", mas também as formas de observação ou metodologias. Ornstein (1981) observa: 

“Qualquer comunidade de pessoas mantém em comum certos pressupostos sobre a realidade. Cada comunidade científica de físicos, matemáticos, psicólogos ou qualquer outra compartilha um conjunto adicional de pressupostos implícitos, chamado de paradigma. O paradigma é a concepção compartilhada do que seria possível, os limites de uma investigação aceitável, os casos limitantes.”  

As metodologias fazem sentido, então, apenas à luz dos modelos que os criam. Na verdade, Curtis Banks (1980) argumenta que as metodologias são meramente formas de confirmar modelos preexistentes. Portanto, a compreensão do paradigma eurocêntrico é essencial para a compreensão da sua metodologia. Em adição ao modelo sendo normativamente baseado em homens brancos caucasianos, classe média, de descendência europeia, também possui outras características como ser individualista, racionalista e materialista. Devemos demonstrar brevemente como cada uma delas, particularmente a exclusão de outras, torna a psicologia eurocêntrica essencialmente inútil como instrumento de libertação humana.  

O foco individualista deste modelo funciona com a suposição de que a identidade humana está essencialmente no indivíduo. Sua identidade coletiva tem significância secundária na conceitualização de pessoa. Como consequência, grande parte da psicologia ocidental se concentrou principalmente nas diferenças individuais; mesmo a sociologia que lida com o impacto da sociedade sobre o indivíduo e a história com uma sequência de heróis individuais. Tão fundamental é a suposição de que o sujeito para consideração primária é o indivíduo, que a maioria dos pensadores tem dificuldade em conceber uma abordagem alternativa sem sacrificar ou violar a ilusão suprema de uma existência humana autônoma e a liberdade sagrada do ser ilusório chamado de "indivíduo". Existe, de fato, uma controvérsia crescente entre os psicólogos euro-americanos quanto à questão se houve ou não uma excessiva afirmação do papel da independência como um atributo desejável dos seres humanos. Os conceitos psicológicos de locus de controle externo, dependência e submissão são vistos como características de personalidade negativas. Tal negação é apenas uma afirmação camuflada convenientemente em função do ideal americano do robusto imigrante europeu individualista que "sozinho conquistou esta região selvagem e estabeleceu este excelente país". A ideia de primazia do indivíduo e suas motivações únicas, e a família nuclear e sua exclusividade são conceitos fundamentais na ciência social euroamericana.  

Outra característica desse modelo que estende a noção de individualismo é o desejo de competição. A teoria econômica americana fundamental é aquela que glorifica a concorrência como essencial para o progresso social. Os indivíduos que mais funcionam eficientemente são aqueles que são mais assertivos e competitivos. A "necessidade de realização" (ver teoria de McClelland) é louvada como o prêmio do progresso ocidental. Os seres humanos foram assumidos axiomaticamente para estarem em conflito e a realização humana é consumada pelo triunfo dos fracos sobre os fortes. O livro clássico de McClelland (1961), The Achieving Society, concluiu que um povo poderia ter o status de civilizado  (isto é, industrializado) apenas se suas motivações fossem caracterizadas por uma alta necessidade de realização. Previsivelmente seus dados mostraram que pessoas não-caucasianas, nãoeuropeias, não-masculinas e que não pertencem a classe média estão na parte inferior desta característica individual fundamental. 

A humanidade oprimida não conseguiu perceber que, no traje da "ciência", o mundo ocidental utilizou um paradigma social e psicológico que funcione para legitimar a afirmação de sua superioridade racial e nacional. O que foi assumido como um sistema apolítico e objetivo é, de fato, a essência da política euro-americana e caucasiana. 

Afirmar que a ciência social euro-americana é racionalista implica que a ciência pode ser irracional. Certamente, essa não é nossa intenção. É claro que a ciência como concebida na tradição ocidental tem algumas limitações frequentemente não reconhecidas. Ornstein (1981) observa: "A ciência como um modo de conhecimento envolve uma limitação na indagação". Por causa de suas limitações, aspectos críticos do processo social humano são muitas vezes desconsiderados. Ornstein continua: 

“É incompleto sustentar que o conhecimento é exclusivamente racional. Mesmo a investigação científica, a mais racional e lógica de nossas atividades, não poderia prosseguir sem a presença de outro tipo de conhecimento [...] Os pesquisadores científicos atuam sobre o conhecimento pessoal, tendências, palpites, intuição. É o gênio do método científico do pensamento arracional que se traduz no modo racional e explícito, para que os outros possam segui-lo.” 

A designação alternativa de Ornstein para o sistema racional como “arracional” e não irracional me parece apropriada.  

Uma das limitações deste componente racionalista do modelo euroamericano da ciência social é a exclusão de sentimentos ou afetos. A emoção é considerada irrelevante, na pior das hipóteses, e prejudicial, na melhor das hipóteses, no esforço científico. Grande energia é utilizada para manter a 
objetividade e excluir qualquer componente afetivo da pesquisa. A consequência é que tal cientista desenvolve uma insensibilidade passiva que permite e até mesmo tolera um sistema de escravidão americano, uma Auschwitz ou mesmo uma bomba de nêutrons, descrevendo calmamente sua capacidade de destruir todas as pessoas, mas deixando os edifícios e as estruturas físicas em pé. O economista não precisa abordar os elementos de sua teoria que definem a opulência excessiva de poucos ser baseada na privação de muitos. O pesquisador que oferece qualquer demonstração de envolvimento afetivo ou emocional em seu assunto é visto como inapropriado, distraído ou apenas irracional e, portanto, merece ser desconsiderado. Ornstein (1981) faz uma observação pertinente neste ponto: 

“Nós retiramos a relevância e até desvalorizamos os modos de consciência arracionais e as formas não-verbais de consciência. A educação consiste predominantemente em "leitura", "forma da escrita" e "aritmética", e nos ensinamos muito pouco sobre nossas emoções, nossos corpos, nossas capacidades intuitivas.” 

Devido ao nosso eu emocional "não educado", geralmente permanecemos idiotas emocionais e não conseguimos obter os benefícios do conhecimento que vem dessa modalidade.  

A característica final desse modelo, pelo menos para os propósitos desta discussão, é seu foco materialista. Supõe-se que as características externas são as essenciais. Se essas características são designadas como "dados comportamentais" ou "dados de classe", a suposição é que o que é diretamente observável é o "mais real". Portanto, o que é reconhecível e o que é relevante são restritos a algum aspecto do material. Ornstein (1981) novamente faz uma observação relevante para essa questão. Ele afirma: 

“Uma ênfase estrita no conhecimento verbal e intelectual eliminou muito do que é ou poderia ser legítimo para estudo na psicologia contemporânea - sistemas de meditação "esotéricos" são muito mal interpretados; A existência de "realidades incomuns" não são estudadas porque não se encaixam no paradigma dominante e obviamente fazem parte dos fenômenos chamados "paranormais". 

Da perspectiva da ciência social ocidental, as descrições desprezíveis dos povos não-ocidentais nascem quando as inferências são feitas sobre o ser humano unicamente com base em dados materiais. A remoção de informações esotéricas e imateriais resultaram na descrição de muitas práticas complexas de pessoas não-ocidentais como "supersticiosas, pagãs ou primitivas". A tendência de separar o comportamento do contexto mais amplo das dimensões espiritual e esotérica da realidade transforma as atividades humanas altamente significativas e repletas de sentido em atividades sem sentido. Não é surpreendente que as pessoas com aparências externas menos opulentas sejam julgadas inferiores, incivilizadas, ininteligentes e bárbaras, mesmo quando elas superam grande parte dos afluentes materiais na justiça, caridade, compaixão e paz. 

Em resumo, o modelo ou paradigma euro-americano da ciência social vê as características do homem caucasiano, de classe média, de descendência européia, como a norma paradigmática para os seres humanos. O individualismo, o racionalismo e o materialismo são outras características deste modelo que direcionam a percepção e as metodologias da ciência euroamericana. Embora esses componentes em qualquer modelo de funcionamento humano sejam perigosos, a limitação da ciência decorre da dependência exclusiva dessas formas de observação. A premissa desta discussão é que a confiança exclusiva nesses aspectos torna a ciência social ocidental uma ferramenta efetiva de opressão e exploração humana. A opressão é mais evidente entre aqueles menos afins ao modelo paradigmático que descrevemos acima. A principal objeção é que todas essas características das ciências sociais euro-americanas a transformam em um instrumento ineficaz para o crescimento e libertação humana. Não devemos nos surpreender com a premissa de que a Europa e a América têm o maior número de cientistas sociais no mundo e um maior número de problemas sociais e humanos do que qualquer outra nação. Por exemplo, abuso sexual de crianças, violações, perversões sexuais bizarras, abuso de drogas, abuso infantil e até mesmo conflitos raciais são ocorrências praticamente desconhecidas na maioria das partes do mundo, mas atingem proporções endêmicas à medida que se aproxima as características do modelo euro-americano. A importância das ciências sociais euro-americanas na provisão de remédios para esses problemas é previsível à medida que se avalia esse sistema como modelo para o crescimento e a libertação do ser humano. 

As metodologias emergentes deste modelo são aquelas que reafirmam seus pressupostos básicos. O método é um "objetivo", o foco é sobre as diferenças individuais e os dados são expressos através de um sistema de contagem e medida característico dos fenômenos materiais. 


O MODELO AFRICÊNTRICO DE CIÊNCIA SOCIAL 


 Nossa discussão sobre um modelo africêntrico cresce a partir de vários pressupostos. Não argumentamos que o modelo para a libertação humana deva substituir o padrão de um homem negro de descendência africana criado pelo homem caucasiano de descendência europeia. Essa concretização apenas substituiria um modelo limitado por outro. O termo "africêntrico" é utilizado na perspectiva de que África constitui o contexto primordial para o crescimento e a libertação do ser humano. Os afro-americanos representam os exemplos mais extremos de vítimas da opressão humana e seriam o grupo mais apropriado para demonstrar uma psicologia da libertação. Portanto, nosso foco está na concepção ontológica africana de homem como um modelo de humanidade em geral, uma vez que África representa provavelmente o conceito mais "naturalmente humano". Embora o modelo tenha relevância específica para a libertação nacional de todos os povos africanos na diáspora, é geralmente aplicável à transformação dos seres humanos em qualquer contexto nacional. 

Uma das dificuldades decorrentes da descrição deste modelo em um contexto comparativo com o modelo eurocêntrico é que modelo africêntrico implica na representação de um contraste ou reação ao anteriormente citado. Como já observamos acima, este definitivamente não é o caso do modelo africêntrico que antecede o eurocêntrico, sendo este último apenas uma devolução conceitual de seu antecessor. Por razões de coesão e maior clareza, nos enfocaremos em alguns aspectos do modelo africêntrico que demonstram sua força relativa às características da ciência social ocidental, que já descrevemos. 


NORMA AFRICÊNTRICA 


A norma do modelo africêntrico é a natureza. As características normativas desta ciência social baseiam-se na requintada ordem da natureza humana. Por mais vago que isso possa parecer e certamente algo "não científico" na tradição ocidental, é consideravelmente mais consistente com a tradição filosófica, religiosa e simbólica das sociedades humanas mais duradouras. Embora concretamente indemonstrável, a "natureza humana" atribui uma ordem que é universal e absoluta. Na verdade, é metafísico. A adaptação e a aberração humanas não devem ser confundidas com o potencial humano. Os argumentos a este respeito foram desenvolvidos por ocidentais notáveis como Maslow, May, Rogers e muitos outros da tradição humanista. Embora falte precisão na linguagem intrincada, especificamente do cientista social ocidental, ela é mais consistente com o holístico, com o polideterminismo multidimensional do ser humano. A simplificação excessiva da ciência social ocidental, embora impressionantemente mais gerenciável, é desastrosamente míope na sua exclusão de realidades flagrantemente causais. O positivismo lógico e o reducionismo tentaram fazer homens e mulheres completamente racionais e minuciosos o suficiente para caber em um modelo micro de uma visão unidimensional da humanidade. O modelo africêntrico se sente confortável com concepções globais e metafísicas e oferece um modelo macro que realmente excede a  manipulação do observador cujo objeto de observação é, em última instância, ele /ela mesmo/a. 

O exemplo de um conceito extraído deste modelo naturalista é o de sobrevivência. Uma característica consistente da ordem natural é a sua tendência de preservar-se. A autopreservação foi identificada como a "primeira lei da natureza". Essa "lei" é derivada do conhecimento popular e não do fato científico, embora seja o tipo de ditado, sabedoria intuitiva ou popular que guie a estruturação da ciência ocidental. O teórico africêntrico assume tal pressuposto como um elemento de seu paradigma e procura observar a consistência com que os fenômenos obedecem a essa "lei". Em seguida, identifica uma norma que seja abrangente e holística, o que diz que a normalidade é qualquer processo que opera em consistência com a tendência do caráter auto-conservador da natureza. Tal conclusão não é diferente da afirmação eminentemente profunda da "Lei da relatividade", que sustenta que a matéria não pode ser criada nem destruída, isto é, é autoconservadora, observando a primeira lei da natureza.  

Os teóricos da filosofia e psicologia africana, especificamente Mbiti (1970) e Nobles (1980), identificaram um princípio da ciência social africana que eles nominaram como princípio de sobrevivência coletiva ou "sobrevivência da tribo". As observações do comportamento humano podem ser entendidas como normais ou anormais na medida em que aderem a este princípio. Os comportamentos que mantêm, aumentam ou asseguram a "sobrevivência da tribo" são normais. Os comportamentos que ameaçam a sobrevivência da tribo são anormais. Novamente, como o Nobles ilustrou, a família "normal" não é nuclear (ou seja, os modelos familiares eurocêntricos) nem estendida, como afirmam algumas réplicas da “análise da vítima” eurocêntrica. A família normal é de fato flexível ou "elástica" (Nobles, 1978b), capaz de maximizar o objetivo natural fundamental da sua sobrevivência.  Essa família pode ser tão eficazmente nuclear como estendida, dependendo de quais tipos de circunstâncias afetaram a sobrevivência da família (tribo). O mesmo ponto é verdadeiro para as funções dentro da família. Segundo Nobles (1978b): 

“Funcionalmente, o desempenho de suas funções (familiares) seria fluido ou elástico. Ou seja, o desempenho de uma função específica faz ou pode "expandir" para muitas outras funções.”. 

Essa caracterização do funcionamento familiar começa a sugerir um pragmatismo. É funcional, mas o pragmatismo é restrito nas diretrizes da ordem natural. A sobrevivência da família exige segurança contra danos; Não exige dominação para se proteger. Embora haja exemplos bárbaros de orientações predadoras que existem em várias arenas da natureza, devido a certas capacidades "morais" dos seres humanos, tais qualidades não podem ser justificadas como base para a opressão humana. Este componente "moral" equilibrável será discutido mais detalhadamente abaixo. 


CARACTERÍSTICAS DO MODELO AFRICÊNTRICO 


A abordagem africêntica da ciência social concebe a si mesma como um fenômeno coletivo. Não nega a "singularidade", mas nega a noção isolada de individualismo, isto é, que a pessoa pode ser entendida independentemente de outras pessoas. O "outro" não é apenas um espelho do eu no sentido de Cooley, mas o "outro" é uma expressão de si mesmo. O ditado fundamental que surge da filosofia africana que capta essa experiência coletiva de si mesmo é a proposição: "Eu sou porque somos e porque somos, portanto, eu sou". (Mbiti, 1970). Essa concepção identifica a consciência coletiva como a arena adequada para a observação humana. Nobles (1980) refere-se a isso como "comunidade experiencial ou compartilhamento de uma experiência específica por um grupo de pessoas". A questão científica não é de como os indivíduos diferem, mas de que maneira as pessoas são fundamentalmente iguais. Novamente, o equilíbrio holístico não argumenta por um caráter nacional em massa, mas uma partilha de certos valores e objetivos humanos universais e o grau em que a singularidade de uma pessoa facilita esses objetivos. Por exemplo, a reprodução de seres humanos efetivos é um objetivo universal que não é violado por características individuais; Embora a liberdade individual seja circunscrita pela necessidade coletiva de realizar esse objetivo. Então, todos não precisam se reproduzir, mas todos são responsáveis pela saúde da prole da humanidade. 

Nobles (1980) sustenta que a comunidade experiencial é importante para determinar os princípios fundamentais da sociedade, como a sua crença sobre a natureza da humanidade e sobre o tipo de sociedade que os seres humanos devam criar para si. Em outras palavras, o trabalho do cientista social ao descrever, avaliar ou mesmo melhorar sociedades ou seres humanos deve ser um fenômeno coletivo e não individual. A teoria social africana atribui preeminência ao grupo, ao contrário do modelo ocidental que atribui status ao indivíduo. 

Outra característica do paradigma africêntrico é que ele identifica a essência do ser humano como espiritual. Certamente, um modelo holístico deve incluir as dimensões completas da pintura humana: física, mental e metafísica. No pensamento dualista ocidental, não só a mente e o corpo (razão e emoção) são considerados fenômenos independentes, mas existe uma tendência trinitária que considera o espírito como independente da mente e do corpo. Geralmente, no entanto, a espiritualidade é completamente desconhecida nas ciências sociais ocidentais. Cada vez mais, com a crescente ênfase no comportamento nas ciências sociais, mesmo a dimensão ou a consciência mental foram descontadas como irrelevantes para a compreensão do funcionamento humano. Em relação à abordagem eurocêntrica, os cientistas sociais africêntricos tomam um "salto quântico" quando identificam a espiritualidade como uma dimensão relevante da experiência humana.  

O conceito essencial de espiritualidade da humanidade simplesmente sugere que, quando homens e mulheres são reduzidos aos seus termos mais baixos, são invisíveis e de uma substância universal. Tal suposição implica que, em última instância, as pessoas são harmoniosamente iguais e não são diferentes da essência de tudo que há na natureza. A unicidade com a natureza é uma extensão natural deste ponto de vista que exclui os pressupostos de inevitáveis conflitos entre homens e mulheres e com a natureza. O material, por sua própria condição, é fragmentado e em conflito, obedecendo aos princípios de polaridade e tensão. Na medida em que a dimensão material dos seres humanos é vista como sua essência, o conflito é visto como axiomático para a existência humana. 

A abordagem africêntica, visando a humanidade como, em última instância, redutível a uma substância universal que é harmoniosa com todo o cosmos, implica uma bondade fundamental dos seres humanos - a bondade é a tendência da vida para melhorá-la em uma direção construtiva. As relações humanas são consideradas potencialmente compatíveis, assim como as relações entre todos os componentes facilitadores da natureza mutuamente. Consequentemente, a moral é endêmica para essa concepção do homem. O cientista social africêntrico não se intimida em afirmar que o que é o normal é bom também. A moral e a espiritualidade são inseparáveis, razão pela qual ambas as dimensões foram relegadas ao domínio do teólogo na abordagem eurocêntrica. No entanto, os valores que são explicitados na abordagem africêntrica estão implicitamente presentes na abordagem eurocêntrica. Como observamos acima, a objetividade é tanto um valor implícito quanto os valores explícitos atribuídos a um sistema subjetivo. Existe um mito amplamente aceito de objetividade entre cientistas sociais eurocêntricos. Como a espiritualidade implica ordem, harmonia, interdependência e perfectibilidade, a moral é um componente fundamental da pintura humana. A moralidade, na abordagem africêntrica, não está na forma de uma série de máximas encontradas nos sistemas morais teóricos eurocêntricos. A moral é simplesmente um reconhecimento de uma ordem natural e a normalidade é a harmonia do homem com essa ordem. 

A moral também constitui um traço unicamente humano. Representa uma capacidade para o domínio pessoal e autodirecionamento. Ao contrário das espécies animais inferiores reguladas pelo instinto, o ser humano tem a capacidade única de auto regulação. Isso exonera o ser humano de alguns dos componentes mais brutos da ordem natural. Esta forma moral permite que os seres humanos estejam na natureza, mas não sejam da natureza, no sentido de serem vítimas de alguns dos seus componentes mais destrutivos. A moralidade se torna a instrumentação do equilíbrio e, no modelo africêntrico, é um imperativo da figura humana e não uma opção. 

No entanto, o modelo africêntrico não nega a relevância da materialidade. De fato, esse modelo representa um equilíbrio entre o extremo da ontologia material e exotérica demonstrada no modelo eurocêntrico e o extremo da ontologia espiritual e esotérica representada nos modelos orientais. Este modelo permitirá validação cruzada entre experiência subjetiva e objetiva. Um exemplo desse modelo talvez seja visto no curandeiro tradicional africano. Tais curandeiros são simultaneamente herbalistas (usuários de paoder objetivo) e griots (recitadores do "eu" ou conjuradores de poder subjetivo). O curador tradicional reconheceu a interdependência da ordem moral e da ordem material. Uma violação geraria impactos em todas as dimensões da figura humana. Tal abordagem não exige uma negação do domínio material ou avanço tecnológico, mas exige um desenvolvimento equilibrado dos mundos interno e externo. Em tal mundo não se constrói grandes arranha-céus como um precipício a partir do qual os perturbados podem se jogar. Em vez disso, a habilidade de escalar as alturas da gravidade é paralela ao explorar as profundezas do espírito humano. 

 A característica final de uma ciência social africêntrica são seus pressupostos epistemológicos. Como observamos acima, o racionalismo da ciência social eurocêntrica impede o arracional, consequentemente excluindo grande parte da experiência humana. A abordagem africêntrica assume um conhecimento universal enraizado no conhecimento dos próprios seres humanos. A experiência mais direta do eu é através da emoção ou afetação. Vernon Dixon (1976) observa: 

“Pessoas africanas nascidas em África ou na diáspora conhecem a realidade predominantemente através da interação entre afeto e imagem simbólica, ou seja, a síntese desses dois fatores produzem conhecimento. Na visão de mundo "pura" africanizada da unidade do homem e do  mundo fenomenal, não existe um espaço de percepção vazio entre o eu e os fenômenos. O afeto refere-se ao sentimento de si mesmo, o eu emotivo engajado em experimentar fenômenos de forma holística.” 

Essa abordagem da africentricidade admite os símbolos e afetos como determinantes legítimos da atividade humana. As reações emocionais como um meio de conhecer e como um equilíbrio para a racionalidade são legítimos neste modelo. Da mesma forma, o significado dos símbolos na tradição junguiana como expressão de certos arquétipos coletivos também é uma abordagem de valor. Símbolos e rituais culturais (como cerimônias de nomeação e ritos da puberdade nas sociedades tradicionais) são considerados como importantes dimensões causais na experiência humana. Tais símbolos na ciência ocidental teriam pouca validade como variáveis independentes ou dependentes, mas no paradigma africêntrico, elas poderiam ser ambas as coisas. Dixon (1976) caracteriza ainda mais essa conexão afeto/simbólico observando: 

“Afeto, no entanto, não é intuição, pois o último termo significa conhecimento direto ou imediato (conhecimento instintivo) sem recorrer à inferência ou raciocínio sobre evidências. O afetivo interage com evidências, evidências sob a forma de imagens simbólicas.” 

Esse conhecimento holístico é crítico tanto em termos de estruturação da metodologia africêntrica quanto na caracterização da adequação de certas observações. Por exemplo, ao invés de definir inteligência por um teste de QI  (isto é, definindo uma metodologia e uma arena de observação), a inteligência seria definida pela adequação de uma pessoa em termos de vida e desenvolvimento. O conhecimento seria refletido no grau em que uma pessoa é capaz de manobrar um ambiente que oferece obstáculos ao seu desenvolvimento. Assim, a inteligência se refletiria no grau em que uma pessoa é capaz de manobrar um ambiente que oferece obstáculos ao seu desenvolvimento do seu "eu-coletivo". Consequentemente, a inteligência implicaria em (1) conhecimento da realidade coletiva de si mesmo, (2) o conhecimento dos obstáculos ambientais ao autodesenvolvimento (coletivo) efetivo, (3) ações iniciadas para remover ou dominar tais obstáculos e, finalmente, (4) conhecimento das Leis divinas e universais que orientam o desenvolvimento humano para o conhecimento do Criador. Uma avaliação adequada da inteligência exigiria efetivamente tocar em toda a gama de imagens simbólicas de um povo (como, palavras, gestos, tons, ritmos, rituais). Não se pode avaliar o "conhecimento" de uma pessoa sem saber com que eficácia essa pessoa se realiza enquanto ser por completo. Portanto, a possibilidade de um homem ou uma mulher avaliar um gênio com base em seu conhecimento externo, mas provando ser moralmente incapaz, não seria concebível a partir da abordagem africêntrica. Do mesmo modo, uma sociedade com tecnologia opulenta, mas em decadência social e moral não pode ser vista como uma civilização avançada ou modelo. 


CONCLUSÃO 


Africentricidade é a forma de um novo paradigma para as ciências sociais. Ela cresce com o aumento da inadequação do modelo eurocêntrico para abordar de forma adequada os problemas sociais crescentes da sociedade ocidental. Mais importante ainda, o modelo procura corrigir a função opressiva indireta desempenhada pela ciência ocidental tradicional. Embora o modelo se baseie nos princípios da filosofia tradicional africana, não exclui, em seus pressupostos fundamentais, a possibilidade de atividade normativa nas partes de pessoas de outras origens étnicas. O novo paradigma, de fato, formaliza e fornece um contexto para muitas das questões que cada vez mais são criadas pelos próprios cientistas sociais ocidentais. Teóricos como Abraham Maslow, Rollo May, Alan Watts e muitos outros das escolas existenciais e humanistas abordaram muitas das mesmas questões que são levantadas no contexto africêntrico e que são resolvidas no seu interior. 

O elemento mais importante oferecido pelo paradigma africêntrico é a oportunidade para a libertação humana genuína através do modelo de ciência social. Um objetivo da ciência social africêntrica é a libertação humana. Uma vez que trata especificamente das condições humanamente opressivas experienciadas pelos povos africanos ao longo da diáspora, tem um objetivo imediato de oferecer um instrumento para a libertação social, política, econômica e psicológica do nosso povo. A qualidade holística do modelo oferece direção não só para tal liberação social, mas também um caminho para a libertação humana em geral. 

O curso dessa libertação é através do veículo da transformação. Um modelo individualista, materialista e racionalista com a exclusão de outras modalidades limita seriamente a possibilidade de transformação humana. O potencial humano é limitado de acordo com este modelo e as pessoas podem, na melhor das hipóteses, ser modificadas, mas não transformadas. Um sistema coletivo, espiritual e afetivo/simbólico aborda um ser multidimensional com um vasto potencial e capacidade de transformação.  É apropriado que este paradigma seja encabeçado pelos povos africanos. Com a nossa visão de mundo completamente negada no paradigma eurocêntrico, nos tornamos vítimas prontas da falsa representação de suas ciências sociais. É dentro da tradição humanista dos africanos que devemos desenvolver um sistema que não só recupera a nossa humanidade, mas oferece a oportunidade de avanço humano para todas as pessoas. 



REFERÊNCIAS 


AKBAR, N. (1980) The evolution of human psychology for AfricanAmericans/ Manuscrito publicado apresentado na SREB Student Conference, Atlanta. 
 ASANTE, Molefi K. (1980) Afrocentricity: The Theory of Social Change. Buffalo: Editora Amulefi. 
 BANKS, C. (1980) Specifications for theories within Black Psychology. Apresentação na 13ª National Convention of the Association of Black Psychologists, Cherry Hill, NJ. 
 CARRUTHERS, J. (1972) Science and Oppression. Chicago: Northeastern Illinois. Publicado pela University Center for Inner City Studies. 
 DIXON, V. (1976) "Worldviews and research methodology," in L. King et al. (eds.) African Philosophy: Paradigms for Research on Black Persons. Los Angeles. Publicado pela Fanon Research and Development Center. 
 FANON, F. (1968) The Wretched of the Earth (Os Condenados da Terra). /(1967) Black Skin, White Masks (Pele Negra, Máscaras Brancas). Ambos publicados pela New York: Grove Press. 
 GUTHRIE, R. (1976) Even the Rat was White: A Historical View of Psychology. Publicado pela New York: Harper & Row. 
 MBITI, J. (1970) African Religions and Philosophy. Garden City, NY: Publicado pela Anchor Books Doubleday. 
 McCLELLAND, D. (1961) The Achieving Society. New York. Editora Van Nostrand. 
NOBLES, W. (1980) "African philosophy foundations for black psychology," in R. Jones (ed.) Black Psychology (2ª ed.). Publicado pela New York: Harper & Row./ (1978a) African Consciousness and Liberation Struggles: Implications for the Development and Construction of Scientific Paradigms. Apresentação feita à Fanon Research and Development Conference, Porto de Espanha, Trinidad e Tobago/ (1978b) "The black family and its children: the survival of humaness." Editora Black Books Bull. 6, 2: 6-14. 
 ORNSTEIN, R. (1981) The Psychology of Consciousness. New York. Editora Penguin Books. 


SOBRE O AUTOR 


Na'im Akbar, psicólogo clínico no Departamento da Universidade Estadual da Flórida De Psicologia e Estudos Negros, é um especialista reconhecido no campo da Psicologia negra. Além de sua posição universitária, atualmente ele atua como o  Representante Regional do Sul para a National Association of Black Psychologists no conselho de diretores e é Editor Associado do Journal of Black  Psicology. Enquanto atuou na American Muslim Mission's Human Development como diretor (1975-1977), representou a missão em todo o Oriente Médio, Caribe e Estados Unidos. Ele publicou três coleções de ensaios, intitulados: The Community of Self; Natural Psychology and Human Transformation; and From Miseducation to Education. 

Fonte: Journal of Black Studies, Vol. 14, No. 4 (Jun., 1984), pp. 395-414 
Publicado por: Sage Publications, Inc.

domingo, 3 de julho de 2016

MUDAMOS PARA UM NOVO ENDEREÇO!

Mudamos pra um novo endereço! E junto com as mudanças, temos... mais mudanças! rs

É que o Blog da Preta&Gorda agora conta com um espaço maior para Artigos bem legais, espaço para divulgação das nossas leitoras e também uma prévia das inspirações que rolam tanto no Instagram, Tumblr e na própria página. 

Estou  preparando um conteúdo bem legal pra vocês e espero que esteja de acordo com as vossas expectativas. 

De 2012 pra cá, a minha vida teve um turbilhão de mudanças. Conheci e desconheci pessoas, fiz e desfiz amizades, tentando encontrar uma centralidade sobre o que se fala a respeito do Movimento Negro. Confesso que muito me decepcionei nesse caminhar, não pelo Movimento Negro em si, mas pelo que andaram e andam fazendo dele.

Hoje, no início de 2016, me encontro como mulher preta, aprendendo sobre aspectos do MN que pouco se fala hoje. E no meio de tantas outras coisas, estaremos também refletindo sobre esses aspectos através de artigos, links, vídeos bem legais que estarei disponibilizando.

Então 'vamo que vamo' nessa nova fase. A de reconhecer-se como indivíduo preto/a , com uma ótica cada vez mais enegrecida sobre nossas questões.

Beijos e divirtam-se.
Preta&Gorda.

NOVO ENDEREÇO: http://pretaegorda.wix.com/blogpretaegorda

domingo, 26 de junho de 2016

Lançamento da Campanha NÃO VOTE, REAJA e do jornal ASSATA SHAKUR, no Rio de Janeiro!

Dia 01/07/2016, Sexta-Feira, na Cinelândia-RJ, haverá o lançamento da campanha NÃO VOTE, REAJA e do jornal ASSATA SHAKUR, uma mídia panafricanista, apartidária, ligada à campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta Uma boa oportunidade para as irmãs e os irmãos conhecerem a militância e somar!
Local: Alcindo Guanabara, 20 - Cinelândia - Rio de Janeiro.
Dia: 01/07/2016 às 18h.

Frente ao Genocídio do Povo Negro, Nenhum Passo Atrás! 

‪#‎ReajaOuSeráMortx‬ ‪#‎MídiaPretaIndependente‬ ‪#‎JornalAssataShakur‬  #pretaegorda #ReajaOuSeraMortoReajaOuSeraMorta #racismo #panafricanismo,

quinta-feira, 16 de junho de 2016

TUPAC: Vida e morte do maior rapper que o mundo já conheceu



Um embrião na prisão, cultivado através das grades. No dia 16 de junho de 1971, “Lesane Parish Crooks” entraria nesse mundo. Todos o conheceriam mais tarde como “ Tupac Amaru Shakur”, mais poucos sabiam o impacto que ele iria causar.
A mãe de Tupac, Afeni Shakur, fazia parte do famoso grupo político “panteras negras”, um movimento que lutava contra o preconceito aos Afro-americanos. Afeni estava grávida de Tupã quando foi presa. Seu padrasto, Mutulu Shakur, foi sentenciado a 60 anos de cadeia por roubar um carro e matar a vítima. Isso teve um grande impacto na vida Tupac, que cresceu sem a figura paterna ao seu lado. Nas ruas, os únicos modelos em que Tupac podia se espelhar eram os traficantes e cafetões.
Tupac se mudou pra Baltimore ainda garoto. Ele descreve essa época como os melhores momentos da sua vida. Pac se destacava nas aulas de teatro e já demonstrava um talento acima da média. Mesmo muito novo, Tupac falava com muita desenvoltura sobre assuntos raciais. Seus professores o consideravam  um aluno muito dedicado e interessado. Era ávido leitor, devorando desde livros sobre religiões orientais ate enciclopédias inteiras. Tupac compôs sua primeira musica em Baltimore atrás do apelido “MC New York”. A música falava sobre armas e era inspirada no assassinato de um amigo seu.
De Baltimore, a então viciada em crack, Afeni Shakur, se mudou com a família para Marin City, Califórnia, Lado Oeste (Westside). Foi nessa época que Tupac começou a vender drogas. Os traficantes e cafetões diziam a 2Pac que caso precisasse de algum dinheiro para financiar seus interesses na música o ajudariam. “Eles eram como meus patrocinadores” diz. Foi nessa época que Tupac fundou um grupo chamado “Strictly Dope” junto com o amigo DJ Dize. As músicas gravadas nessa época viriam a tona apenas em 2001 sob o nome de “Tupac Shakur: The Lost Tapes”. Suas performances na vizinhança fizeram com que Tupac assinasse com a Digital Underground de Shock G.
Em 1990, 2Pac trabalhava como roadie e dançarino na Digital Underground. Suas primeiras letras eram notáveis e revelaram a tendência para sua personalidade violenta. Em uma música que fez parte da trilha sonora do filme “Nothing But Trouble” chamada “Same Song”, Tupac conheceu o sucesso pela primeira vez.
Em 1991, lança seu primeiro álbum, “2Pacalypse Now”, que vendeu mais de um milhão de cópias. Enquanto Tupac falava de problemas comuns entre os jovens pobres como gravidez na adolescência e violência, também falava sobre policiais de forma violenta, o que faz com que os críticos prestassem atenção em seu álbum, especialmente depois de um jovem ter matado um policial alegando que foi inspirado em uma das músicas do grande álbum.
O vice presidente dos EUA, Dan Quayle, denunciou o álbum publicamente dizendo que não havia espaço na sociedade para algo do tipo. O álbum não gerou nenhum single que ocupasse o primeiro lugar nas paradas. Seu segundo álbum, “Strictly 4 my N.I.G.G.A.Z.” foi produzido por Stretch e the Live Squad e gerou dois hits que ocuparam a primeira posição nas paradas: A emotiva Keep Ya Head Up e a festiva I Get Around.
No começo de 1993, Tupac funda o grupo Thug Life com alguns amigos, incluído, Big Syke, Macadoshis, seu irmão Mopreme e Rated R.O grupo lança o primeiro álbum, intitulado “Thug Life Volume 1” pela Interscope em 1994. Apesar do conteúdo Hardcore, o trabalho foi um sucesso de vendas. O grupo se desfez assim que Tupac saiu da prisão.
Em 1995, o rapper foi acusado de abusar sexualmente de uma mulher em um hotel. Segundo Pac, a mulher, que ele havia conhecido em uma boate, teria feito sexo oral nele em plena pista de dança e teria ido com ele para um hotel por livre e espontânea vontade. Shakur disse que tudo não passou de um armação. Fevereiro do mesmo ano, devido a tal fato, Tupã foi sentenciado a quatro anos e meio de prisão por estupro, embora tivesse negado veementemente. Pouco depois do ocorrido, Tupac havia levado cinco tiros em um assalto ocorrido em um estúdio de Nova York. Tupac deu informações em detalhes sobre o ocorrido em uma entrevista pra Vibe.
O astro começou a cumprir sua pena no presídio de Clinton. Pouco depois, seu multi-platinado “Me against the world” é lançado. Tupac entra para a historia como o único artista a ter um álbum em primeiro nas paradas estando preso. “Este sempre será meu álbum favorito”, disse ele a uma entrevista. Enquanto os guardas provocavam na cadeia dizendo que Tupac não era mais o mesmo, ele ria e dizia : “Meu álbum é numero 1 no pais inteiro e apenas bateu Bruce Springsteen no topo da Billboard”. Na cadeia, se casou com a namorada Keisha Morris, uma união que foi desfeita pouco tempo depois.
Após quase onze meses na prisão, Tupac foi liberado, logo apos ter feito um acordo com Suge Knight, o cabeça do “Death Row Records”. Suge pagou a fiança de 1.4 milhões de dólares. Em troca o artista deveria lançar 3 álbuns pela sua gravadora. Imediatamente apos sair da prisão, Tupac começou a trabalhar em um novo álbum. Em feveireiro de 96, ele lança seu quarto álbum, “All eyes on me”, o primeiro álbum duplo da historia do rap. O sucesso foi tremendo e vendeu mais de 9 milhões de copias e é considerado por muitos o melhor álbum do gênero. Em meio a tanto sucesso, Tupac foi assassinado em 1996, quando saia de uma luta de seu amigo Mike Tyson.
Logo apos sua morte, a Death Row lança o álbum “The Don Killuminati”, com o pseudônimo de “Makavell”. A capa traz um 2Pac crucificado com uma coroa de espinhos na cabeça e um mapa das principais gangues do país. Em janeiro de 1997, a Gramercy pictures lança “Gridlock’d”, um filme em que Tupac interpreta um viciado em drogas e que foi bem aceito pela crítica, recebendo inúmeros elogios. Seu ultimo filme, “Gang Related”, seria lançado meses depois. Antes de Morrer, Tupac deixou centenas de musicas gravadas na Época de Death Row.A maioria foi lançada em álbuns póstumos como “Better Dayz”, “Until the end of time”, “Loyal to the game” e em seu ultimo póstumo “Pac’s Life”.
Tupac é o rapper que mais vendeu álbuns na historia.

Curiosidades
– Tupac era inimigo de várias pessoas, incluindo Jay-Z, Fugges, Da Brat, Junior Mafia, Lil Kim, Lil Shaw, Notorious Big, Puff Daddy, Mobb Deep, Nas, L.L Cool J, Dr. Dre,Deloris Tucher, Chino Xl e outros.
– Antes de 2Pac alcançar a fama, descobriu que havia certas pessoas que queriam matá-lo. Assim,foi pra casa, vestiu o seu colete a prova de balas e se vestiu com todas as armas que tinha.Bateu na porta do pessoal que estava procurando por ele e disse “Voces estão me procurando?”
– Tupac era para atuar no filme Menace to Society mas quando recebeu uma parte menor do que queria, arranjou uma briga com os irmãos Hughes(diretores do filme).Tupac disse:”Eu derrubei um deles e o outro saiu correndo feito uma puta”.
– Tupac acreditava que o caso de estrupo foi uma cilada organizada por Jacques Agnant Jack, a quem Tupac afirmava fazer parte da situação.Tupac retaliou a música Against all Odds, no seu cd Makaveli, dizendo que Jacques era um informante do governo.
– O selo Bad Boy supostamente foi bancado pela Black Mafia, a gangue a que King Tut pertencia.Tupac estava na correria com Tut na semana em que ele foi baleado 5 vezes em New York.Supostamente eles queriam que Tupac se juntasse a Bad Boy.Ele recusou,o que pode ter sido a razão do atentado.Na sequencia, Tut foi assassinado.
– Tupac tinha planos de ser ator bem antes de pensar em ser um rapper.
– Tupac fez teatro na Universidade Baltimors School for The Arts, onde rimava com o nome de MC New York.
– Em um show em Marin County, Tupac entrou em uma briga que foi abordada de maneira muito errada pelo departamento de polícia. Houve um tiroteio e uma bala perdida acabou matando um garoto.
– Tupac foi proibido de tocar em muitos estados porque seus shows eram muito agitados.No cd Daz, na música Initiad ele diz: “Minhas letras são letais, transformam coliseus em cenas de assassinatos.”Ele foi processado por uma mulher que foi baleada em um de seus shows em 1993.Ela disse que ele deixava o público muito agitado.
– Tupac é citado no livro de recordes Guinnes Book, como o cantor mais bem sucedido do Rap Gangsta.
– A música Me and My Girlfriend de Tupac é sobre sua arma e não sobre sua namorada.
– O ator preferido de Tupac era Jim Carrey.Ele costumava imitá-lo
– Algumas das coisas favoritas de Tupac eram refri de laranja Sunkist, as cores preto e ouro, asinhas fritas com molho picante e macarrão com queijo.
– Tupac trabalhava em uma pizzaria chamada Roundtable antes de sua carreira musical.Ele fazia e entregava pizzas.
– Tupac era pra ser o protagonista do filme Higher Learning, mas perdeu o papel para Ice cube.
– O primeiro filme em que Tupac trabalhou foi Nothing But Trouble, com Chevy chase, Demi Moore, e Danny Devito.

2Pac x Notorious BIG
2Pac e Notorious Big eram amigos antes de tudo, chegaram até a fazer alguns trabalhos juntos. A briga entre eles começou quando 2Pac saiu da cadeia, ele notou que Big tinha lançado algumas músicas parecidas com as suas,o que o forçou a mudar toda a estrutura de seu cd, causando a maior rivalidade na história do Hip-Hop.Como vingança 2pac faturou a mulher de Big e falou para o mundo inteiro com a música Hit ´em up.Essa guerra pessoal dos velhos amigos não só inspirou muita controvérsia e manchetes como conseguiu separar uma nação em duas, Leste contra Oeste.Depois dos assassinatos dos dois surgiram várias especulações,alguns falam que foi por causa da velha briga entre os dois, outros dizem que eles forjaram sua própia morte para se vingar um do outro.Falam também que pode ter sido o Suge Knight dono da Death Row Records(gravadora de 2Pac) que encomendou a morte dos dois.Rivalidade entre gangues também foi citada, e tem gente que acredita que o governo tem alguma coisa a ver.A polícia ainda naum finalizou nenhuma das investigações.

Entrevista Notorious B.I.G. a Vibe.
Vibe: Se pudermos, vamos falar um pouco sobre a morte de Tupac. Onde você estava quando ficou sabendo que ele havia morrido?
The Notorious B.I.G.: Quando eu ouvi sobre isso eu estava com o Little Cease em um restaurante em Nova Iorque. Alguém me mandou uma mensagem no pager. Fiquei ouvindo falar que ele havia morrido a semana inteira. Você sabe como são esses boatos… Todos os dias ouvia coisas diferentes. Mas eu não dava muita atenção para oque ficavam dizendo.
Eu conhecia o Tupac. Não era somente uma pessoa qualquer na música que havia sido baleada. Nós dividimos várias paradas juntos, eu sabia o quão ele era forte. Quando ele foi baleado, eu cheguei a pensar, sem problema, ele foi baleado; ele vai se recuperar como da ultima vez, se levantar, fazer algumas músicas sobre isso. Mas quando eu fiquei sabendo que ele tiha realmente morrido, ai pensei, caralho, agora é quente.
A morte dele me fez pensa que poderia ter acontecido com qualquer um. Ele estava no pico de sua carreira, sua música era conhecida, estava fazendo músicas, fazendo muito sucesso. Algumas coisas que ele disse sobre mim nas músicas dele me machucou, mas ao mesmo tempo ele estava preso no mesmo caminho que eu. Ele era um jovem negro ganhando uma cara boa de dinheiro, bebendo pra caramba, fumando pra caraio, a banca dele era enorme. É tipo assim, você tem uns 40 manos com você, e todos fazendo uma coisa, é embaçado você chegar e dizer que não vai fazer aquilo.

Vibe: Você disse que tentou ensinar algumas coisas pra ele, é verdade?
The Notorious B.I.G.: Eu amo todos os meus manos, não importa oque eu tenha que dizer para eles, eu vou senta-los e dizer, “Você não pode fazer isso desse jeito.” Desse jeito você vai acabar assim. Quando as coisas ficam assim, só tem um fim… Eu não gosto disso… Quero dizer, o mano tinha muito talento. Algumas vezes eu ia ver o Tupac em um hotel e era tipo 9 horas da manhã, ele ia até o banheiro pra cagar e saia de lá com duas músicas prontas. Ele escrevia só com um rádio do lado dele, e alguns livros no banheiro. Ele tinha muito talento mesmo. E eu odeio que as coisas tenham ficado assim. O mano foi pego e eu sinto muito pela mãe e pelos amigos dele, tá ligado? Foi uma grande perda para o hip-hop.
Vibe: Parece que você realmente se importava com Tupac levando-se em conta o atrito entre vocês dois…
The Notorious B.I.G.: Ele era meu mano, tá ligado? Foi só um mal entendido que ganhou proporções maiores. E isso me fez sentar e pensar na situação e eu pensava, “Caramba, nós dois devemos ser os filhos da mãe mais poderosos daqui, porque eles tornaram uma briga pessoal entre eu e ele numa briga entre as duas costas (East/West).”
Vibe: Quem são eles?
The Notorious B.I.G.: A midia. Tupac nunca disse “todos vocês da West Coast tem que odiar a East Coast” e eu nunca disse “todos vocês da East Coast tem que odiar a West Coast.” Eles fizeram o seguinte, ele é do West, eu sou do East… Então é East contra o West.
Vibe: Então você se arrepende de nunca ter se sentando com Tupac e tentar amenizar a situação?
The Notorious B.I.G.: Pra falar a verdade, depois que o Tupac foi baleado no estúdio, eu só vi ele depois daquilo uma vez. E foi no Soul Train. E como eu disse antes… A banca dele tava toda lá, a correria, ele tava numa correria da porra… E não sabia oque se passava pela cabeça dele. Era uma situação dificil, de repente poderia acabar rolando alguns tiros… E não da pra conversar nessas circunstâncias. Eu queria ter agarrado ele, jogado ele na limusine e dizer para o motorista, dirija… Pelo menos seria só eu e ele. Seria bem mais fácil pra conversar com ele.
Vibe: Porque ele achava que você e Puffy tinham algo a ver com os tiros que ele levou?
The Notorious B.I.G.: Tupac sabia quem havia atirado nele. Escute as músicas no album Makaveli (The 7 Days Theory) dele. Ele explica tudo que aconteceu aquela noite. Os malucos que ele cita nos sons são os caras que ele acha que tiveram algo a ver com isso. Ele sabia. Ele não podia fazer dinheiro rimando sobre os caras que realmente atiraram nele, tá entendendo? Ele precisava de outro alguém para culpar. E eu fui essa pessoa. Eu acho que foi isso, foi algo trágico. Eu queria ter sentado com ele e conversado sobre isso. Eu sempre disse isso, eu queria que ele não tivesse morrido para ele ver que eu poderia lançar um album duplo também e nem falar sobre toda essa merda, tá ligado?!

Hoje na história: 16 de junho de 1976 - 40 anos do Massacre de Soweto




Hector Pieterson, de 13 anos, foi um dos primeiros alunos a ser morto durante a Revolta de Estudante 16 de junho de 1976, em Soweto. Desde então, tem sido um símbolo de resistência da juventude ao apartheid. Essa revolta começou em 16 de junho como uma marcha de protesto pacífica organizada pelos estudantes da escola em Soweto. Uma das principais queixas foi a introdução do Afrikaans, considerado como a língua do opressor, como um meio de instrução em todas as escolas africanas.

Muitos jovens foram inspirados pelas idéias de Steve Biko e do Movimento Consciência Negra, dando-lhes o impulso necessário para resistir ao sistema de Educação Bantu, introduzido pelo governo do apartheid na década de 1950. Este sistema, apelidado de "educação sarjeta", foi projetado para treinar povos africanos a aceitar um papel subserviente na sociedade apartheid.


Centenas de estudantes se juntaram à marcha de protesto planejado pelo Movimento Estudantil Sul-Africano (SASM), ao Orlando Stadium Leste, onde tinham a intenção de se reunir com as autoridades para expressar suas queixas. Eles carregavam cartazes com slogans - "Fora com Afrikaans ',' Amandla Awehtu '(Power to the People),' Free Azania" (Free África do Sul) e cantou 'Nkosi Sikelel' iAfrika '(Deus abençoe a África), agora o hino nacional da África do Sul.
Em Orlando West, a polícia confrontou os manifestantes e ordenou-lhes a se dispersar. Apesar do caráter pacífico da marcha, o confronto se tornou violenta e foi aqui que um número de estudantes, incluindo Hector Pieterson, foram baleados e mortos. O que era uma marcha estudante, rapidamente entrou em erupção em um levante, que se espalhou para muitas outras partes do país. A fotografia por Sam Nzima de um jovem, Mbuyiswa, transportando os feridos criticamente Hector Pieterson em seus braços, chamou a atenção de pessoas em todo o mundo e destacou as injustiças do apartheid.



Depois de 1976 Uprising uma consciência política intensificada viu o surgimento de novos líderes, como Cyril Ramaphosa, Murphy Morobe, Popo Molefe, Tsietsi Mashinini, Seth Mazibuko e Khotso Seatlholo. organizações cívicas locais fortalecidos e dezenas de homens e mulheres jovens cruzaram as fronteiras do país para se juntar as asas militares do Congresso Nacional Africano (ANC) eo Congresso Pan-Africano (PAC). Muitos foram presos em Robben Island (ao largo da costa perto de Cape Town), onde a geração mais jovem aprendeu muito com os mais velhos camaradas do ANC e do PAC já está lá e, como resultado Robben Island tornou-se conhecida como a "Universidade Robben Island '.
O Uprising Student 1976 mudou o curso da história do Sul Africano e as demandas aceleradas tais como aqueles para a libertação de prisioneiros políticos, a unbanning de organizações políticas e a formação de uma nova África do Sul democrática. Após a primeira eleição democrática em 1994, 16 de junho foi declarado "Dia da Juventude" para comemorar a contribuição da juventude de África do Sul para a luta contra o apartheid.

Africa Revolt

Preta&Gorda

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dia dos Namorados - #AmorPreto

Boa tarde, galera!

Todos e todas nós sabemos da existência do Racismo. Sabemos como ele se estrutura e sabemos em quais medidas ele nos atinge. É muito comum hoje, em meio a esses discursos sobre diversidade, encontrarmos campanhas publicitárias com um ou dois/duas pretos/pretas marcando presença e sabemos muito bem que isso é uma espécie de cala boca.

Sabemos também da insistência midiática em caracterizar relacionamentos interraciais como solução prática para o fim do racismo. Isso fica muito evidente quando todos os casais das campanhas publicitárias são interraciais. Não mostram a família preta.

Como mulher preta com o mínimo de agência, isso me incomoda bastante. Primeiro, porque fica bastante nítida a necessidade de mascarar o racismo em mensagens subliminares de que ele não existe mais, que todos nós somos amigos, que vivemos tranquilos e em paz socialmente, e sabemos que não. Sabemos que a morte dos nossos jovens pretos, a favelização, a violação do corpo preto é sim coordenado e ordenado pelo branco e isso faz dele o nosso opressor direto. Não há motivos para romantizar isso.

E segundo, porque família preta é a coisa mais linda de se ver! E, ao contrário do que se pensa ou do que se faça crer, uma família preta bem estruturada é que é o solucionador dos nossos problemas, é o que nos dá força, que nos encoraja e que nos prepara para o enfrentamento do racismo.

Pensando nisso e sabendo que as campanhas de Dia dos Namorados não iria nos contemplar, criei uma campanha para mostrar mulheres pretas, gordas, magras, altas, baixas amando pa-ra ca-ram-baaaa! Isso mesmo! Noivas, namoradas, esposas... Todas lindas e maravilhosas com seus amores igualmente lindos e maravilhosos, porque assim o somos! E olha... Ficou lindo hein... Todo mundo querendo mostrar o que o #AmorPreto existe e resiste! Olha só:



Mais afeto!
#4P #AmorPreto

Aziza Awena - Preta&Gorda.
https://www.facebook.com/PretaeGorda/

domingo, 27 de dezembro de 2015

Celebre Kwanzaa!




Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. 

Kwanza é uma celebração dos pretos e pretas norte-americanos, com enfoque sobre os valores Africanos da família preta, da responsabilidade comunitária, o comércio, e a auto-gestão. Kwanza não é um feriado político, ou religioso, mas um momento a celebração do povo preto, dos nossos antepassados e da nossa cultura.
A palavra Kwanza é derivada da frase em Kiswahili ‘Kwanza do Ya Matunda’, que significa ‘Primeiros Frutos da Terra’, fazendo menção aos primeiros frutos em África.



A princípio, a Kwanza era uma festa comemorada no continente africano, na tradição dos povos africanos de reservar determinada época para festejar a fartura da colheita, e juntos cantar, dançar, comer e beber e comemorar a colheita das primeiras frutas e vegetais. Traria os primeiros alimentos que cresceram ou iguarias que faziam destes para a festa.

Seu fundador é Ron Karenga, conhecido também com Ron “Maulana” Everett, Maulana significa o professor Mestre, em Kiswahili. Karenga foi o primeiro preto a estudar na Universidade da Califórnia, onde aconteceu realização da primeira Kwanza no ano de 1966.

A festa do Kwanza é comemorada durante sete dias, a partir do dia 26 de Dezembro até o dia 01 de janeiro, ligada pela luta dos direitos civis nos U.S. A nos anos de 1960. Foi estabelecido com o objetivo de reconectar os africanos em diáspora com suas características ancestrais e culturais, embasado nas tradicionais festas africanas. Karenga também afirma que a festa do Kwanza não é uma substituição a feriados religiosos e sim uma festa em que os pretos e pretas possam comemorar a semelhança de como faziam nossos ancestrais antes de serem seqüestrados pelos Europeus Caucasianos.

O Kinara é o centro do parâmetro da Kwanza e representa o estado original pelo qual viemos: nossos ancestrais. Também está dividido em sete princípios do Kwanza, conhecidos também como Nguzo Saba. O Kwanza se tornou a manifestação cuja filosofia é à recuperação das tradições e razões dos nossos ancestrais perdidas, com ênfase na união comunitária entre os pretos do mundo, movimento político hoje conhecido como PanAfricanismo.
Os sete princípios do Kwanza, cada um deles comemorados em um dia dos sete da festa, são:

UMOJA – Significa unidade, e representa manutenção da unidade na família, na comunidade, na nação e na raça.


KUJICHAGULIA – Significa Autodeterminação, representa os valores de determinação que o povo preto deve apresentar para resolver as questões que nos afligem.

UJIMA – Significa Trabalho Coletivo e Responsabilidade, Construção conjunta e manutenção da nossa comunidade unida para fazer nossos problemas da irmã e dos irmãos nossos problemas e para resolvê-los junto.

UJAMAA – Significa Economia cooperativa, para construir e manter nossas próprias lojas, supermercados e outros negócios e para comercializar junto com nossos irmãos e irmãs pretas.


NIA – Significa Finalidade, almeja a construção do coletivo e tornar-se de nossa comunidade a fim restaurar nossos povos a sua grandeza outrora tradicional.


KUUMBA – Significa Criatividade, tem por objetivo fazer sempre quanto nós pensemos ser necessário, a nossa maneira, a fim deixar nossa comunidade mais bela e benéfica do que quando nós a herdamos, sempre buscando a melhoria do povo preto.

IMANI – Significa Fé, para acreditar com nossos corações em nosso povo preto, nossos pais, nossos professores, nossos líderes e a vitória de nosso esforço.

Esta citação é feita no início da celebração da Kwanza:

‘Para nossa Terra-Mãe, África, berço da civilização.
Para os antepassados e seus indomáveis espíritos
Para os idosos a partir dos quais podemos aprender muito.
Para os nossos jovens, que representam a promessa do amanhã.
Para o nosso povo, as pessoas originais.
Para a nossa luta e na lembrança daqueles que têm lutado em nosso nome.
Para Umoja, o princípio da unidade, que deve nortear tudo o que fazemos.
Para o criador, que fornece todas as coisas grandes e pequenas’